Capítulo 9
Continuado por: Orlando Dias Agudo

Quanto a mim…permanecia estendido no sofá onde não me cheguei a sentar na véspera, apenas com uns calções que deveriam ser do Gabriel, esperando e pensando ao mesmo tempo. Foi quando Sofia surgiu, com a bandeja cheia de torradas, uns frascos de doces, mais queijo e manteiga e duas chávenas de café com leite. Colocou a bandeja em cima da mesa, veio para junto de mim e ofereceu-me aqueles belos e sensuais lábios. Quando os desgrudou dos meus, fez a primeira queixa:
- Ontem mordeste-me o lábio…
- Sinal de que o queria comer, - respondi com um sorriso malandro….
- Mas acabaste por comer muito mais do que o lábio….
Resolvi não dar continuidade á conversa pois poderia acabar de uma forma pouco digna. Preferi orientar noutro sentido…
- Mas agora estou mesmo a precisar é de uma torradinha e de um café…Aposto que estão deliciosos…
- Vamos e enquanto mastigamos, podemos finalmente pôr a nossa conversa em dia…
Sentou-se na minha frente, olhando-me com aqueles grandes olhos e sempre com um sorriso a bailar-lhe nos lábios. E foi durante o pequeno-almoço que finalmente Sofia começou a falar…
- Olha Mário: vou ser extremamente directa naquilo que tenho a dizer. É evidente que quando pedi a tua ajuda, no meio da estrada, não fazia ideia de quem eras. Para falar verdade só soube no dia seguinte, quando contei ao Gabriel quase tudo quanto me havia acontecido e ele descobriu, por A+B, que quem me ajudara no meio da estrada só podias ser tu. Não me perguntes como chegou a essa conclusão. Só sei que depois de muitas perguntas, incluindo a matrícula do teu carro, ele chegou á conclusão que quem socorrera a sua esposa era um antigo colega do liceu.
Propositadamente, não interrompi…
- Depois, a minha cabeça começou a funcionar. Era evidente que tu me agradavas, eu muito provavelmente também te agradava, portanto o destino havia traçado o rumo a seguir. Porque, Mário, e isto agora é muito sério e peço-te que guardes segredo, pois só nós os três estamos dentro deste segredo. Concordas?
-Claro que sim….mas começo a estar intrigado….
- Não há nada para ficar intrigado. O que se passa é que Gabriel é estéril e simultaneamente herdeiro de uma fortuna incalculável. Mas há um pequeno óbice: a fortuna não vai directamente para ele, mas sim para um filho que afinal de contas ele não pode gerar. Coisas de uns tios donos ainda dessa fortuna, que colocaram em testamento essa condição tendo-lhe dado conhecimento. Portanto a situação é a seguinte: Gabriel precisa que eu lhe dê um filho…mas ele não pode ser pai.
- E onde entro eu?
- Eu e ele escolhemos que serias tu o pai dessa criança….
- Por isso o primeiro beijo ontem á noite…e a oferta depois de termos ido ao aeroporto?
- Não…não confundas…O beijo foi porque me apeteceu e a oferta, como tu dizes, foi porque…estava necessitada!
- E porque julgam vocês que eu alinho na concretização dessa história?
- Ainda não sabemos que alinhas ou não…claro que no aspecto legal o Gabriel falará contigo. E ao recordar esta noite, estava quase disposta a apostar que aceitarias…
- Tenho de pensar…mas agora precisava mesmo era de um banho….
- Eu também….vamos juntos tomar um duche?
O convite era irrecusável. E ela sabia. Por isso levantou-se da mesa, pegou-me na mão e puxou-me até á casa de banho. Sem nunca me largar, pôs a água a correr, desatou o laço que apertava o roupão que caiu indiferente a nossos pés. Depois, ela própria tirou os meus calções. Depois foram dois corpos nus que entraram na banheira, para se fundirem num só, uma, duas, três vezes, sei lá quantas mais!
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